Eu já vi muitos tutores ficarem assustados ao encontrar um carrapato no próprio animal. E não é para menos. Infestações por carrapatos são bastante comuns, principalmente em cidades com clima úmido e quente, como Joinville. O contato com esse parasita vai além do incômodo: diferentes doenças podem ser transmitidas, comprometendo a saúde do pet e, em alguns casos, trazendo riscos também para as famílias.
Entenda a ameaça: o que os carrapatos transmitem?
O carrapato não é apenas um “passageiro indesejado”. Ele é agente transmissor de doenças graves como erlichiose, babesiose e anaplasmose. Em estudos realizados no Rio de Janeiro com cães avaliados por PCR, 19% deles apresentavam hemoparasitoses, sendo que a maioria eram positivos para Ehrlichia canis e Babesia spp. Na Amazônia Oriental, a soroprevalência para Babesia canis vogeli chegou a 42,6%. Estes dados mostram o quanto essas enfermidades são presentes em diferentes regiões do Brasil, atingindo principalmente cães urbanos.
O perigo mora nos detalhes. Os vetores são silenciosos, e muitas vezes o tutor só percebe a existência de um problema quando o quadro clínico já está instalado.

Sinais de alerta: como posso identificar as doenças de carrapato?
Na minha prática clínica, muitos tutores chegam trazendo sintomas aparentemente genéricos. Mas alguns sinais são sugestivos e merecem investigação:
- Febre sem origem definida
- Falta de apetite e apatia
- Mucosas pálidas (gengivas brancas)
- Perda de peso sem explicação
- Pontos avermelhados na pele (petequias)
- Manchas de sangue em urina ou fezes
- Ínguas (linfonodos aumentados)
Cães infectados muitas vezes apresentam trombocitopenia e anemia, conforme documentado em pesquisas regionais. A presença dessas alterações laboratoriais, especialmente em animais que frequentam áreas de risco, deve acender um alerta para a investigação de doenças transmitidas por carrapatos.
O ciclo do carrapato e onde mora o perigo
O ciclo de vida do carrapato envolve o ambiente, o animal e, ocasionalmente, o ser humano. Eles preferem locais quentes, com vegetação e abrigo, como jardins, parques e terrenos baldios. Uma vez no ambiente, podem aguardar a passagem do hospedeiro, subindo pelo corpo do animal para se alimentar de sangue.
Dentro da residência, fissuras, frestas e ambientes onde o animal descansa são áreas preferidas. O perigo se intensifica quando há circulação de múltiplos cães ou acesso frequente à rua.
É comum receber na Vet Silva famílias preocupadas após a primeira infestação. Fico atento à orientação sobre inspeção regular do pelo, inclusive em regiões menos visíveis, como orelhas, axilas e entre os dedos.
Prevenção: o que realmente funciona?
Prevenir ainda é a melhor alternativa, e pode ser feito em diferentes níveis:
- Check-up veterinário periódico para detecção precoce (especialmente após episódios de infestação)
- Uso regular de produtos recomendados pelo veterinário para controle de carrapatos
- Higienização frequente dos ambientes onde o pet circula
- Evitar contato com áreas sabidamente infestadas, principalmente em épocas de calor
- Inspeção manual do pelo após passeios
- Manter o calendário de vacinas e vermifugação em dia
Vale lembrar: apenas o controle ambiental eficaz reduz o risco de reinfestação. Por isso, também é importante orientar a família sobre as práticas de limpeza, uso de produtos específicos para ambientes e a eliminação de potenciais criadouros.
Detecção: quando suspeitar e investigar?
Muitas doenças transmitidas por carrapatos podem demorar a manifestar sintomas claros. Por isso, eu costumo recomendar:
- Exames laboratoriais de sangue quando há histórico de infestação recente
- Solicitação de hemograma em animais com sintomas inespecíficos, como febre persistente
- Atenção especial aos pets jovens, idosos ou imunossuprimidos
A detecção precoce pode ser decisiva para o sucesso do tratamento e para evitar agravamentos.

Em muitos casos, oriento o tutor a captar as mudanças comportamentais do animal, diminuição da vontade de brincar, mudanças no padrão de sono, ou até isolamento social repentino. Esses detalhes geralmente são relatados durante as consultas, revelando o início do problema.
Cuidados em casa e no consultório
No cotidiano da clínica Vet Silva, sempre reforço ao tutor:
- Evitar a automedicação. Remédios só com orientação profissional
- Buscar avaliação clínica ao menor sinal de alteração após encontrar carrapatos
- Manter tratamentos preventivos mesmo nos meses frios, quando carrapatos parecem sumir
Promovo o relacionamento próximo com a família e o pet, pois juntos, identificamos qualquer mudança de comportamento e sinais físicos rapidamente.
Famílias em busca de tranquilidade
Fico sensibilizado sempre que vejo a preocupação dos tutores após uma infestação. Entendo que, atrás de cada pet, há pessoas preocupadas com o bem-estar dele e de todos à sua volta. Por isso, sempre recomendo o acompanhamento regular, a consulta anual de check-up (importância do check-up veterinário anual), e um olhar atento aos sinais do dia a dia.
Saúde e bem-estar: sempre ao lado do tutor
Deixar claro: tudo que foi detalhado acima não substitui uma consulta veterinária. Na Vet Silva, trabalhamos para garantir que cada família tenha um suporte carinhoso, humano e atualizado para proteger seus pets das doenças de carrapato.
Se o seu pet apresentar qualquer sintoma ou se você encontrou carrapatos, o melhor caminho é buscar orientação profissional. Não espere. Nossa equipe na Vet Silva Clínica Veterinária está pronta para ajudar e proporcionar o melhor cuidado ao seu melhor amigo, em Joinville e região.
Para mais dicas de prevenção e bem-estar animal, recomendo o conteúdo completo da nossa categoria de prevenção e bem-estar.
Proteja hoje para evitar preocupações amanhã.
Perguntas frequentes sobre doenças causadas por carrapatos
O que são doenças causadas por carrapatos?
As doenças causadas por carrapatos são enfermidades transmitidas por esses ectoparasitas ao sugarem o sangue de cães e gatos. As principais são erlichiose, babesiose, anaplasmose e rickettsiose. Elas podem comprometer o sistema imunológico do animal e até levar a quadros graves, exigindo tratamento específico.
Quais os sintomas de doenças por carrapatos?
Os sintomas variam, mas os mais comuns são febre, apatia, perda de apetite, mucosas pálidas, manchas vermelhas na pele, aumento de linfonodos e alterações no sangue, como anemia e baixa de plaquetas. Em casos avançados, pode ocorrer perda de peso e sangramentos espontâneos.
Como prevenir doenças transmitidas por carrapatos?
A prevenção envolve o uso regular de produtos indicados pelo veterinário para controle do parasita, higiene ambiental, inspeção manual após passeios e acompanhamento veterinário periódico. O controle do ambiente é essencial para evitar reinfestações, aliado a uma rotina regular de cuidado com a saúde do animal.
O que fazer se for picado por carrapato?
Retire o carrapato com cuidado, usando pinça fina, sem esmagar o parasita. Higienize o local e observe por sinais de reação local ou alteração comportamental. Caso apresente sintomas ou dúvidas, busque o veterinário o quanto antes.
Quais animais estão mais sujeitos a carrapatos?
Os cães são os mais afetados, principalmente aqueles que vivem em áreas abertas, frequentam parques, sítios ou têm contato com animais infestados. Gatos podem ser afetados, especialmente se tiverem acesso ao exterior. Animais jovens, idosos ou imunossuprimidos demandam cuidados redobrados.
